
São muitas e diferentes coberturas
• Entendendo antes de comprar
Antes de contratar qualquer plano, você precisa entender o que está comprando. Os seguros viagem variam muito entre si - e o que parece uma boa proteção pode ter lacunas importantes que só aparecem na hora que você mais precisa.
As coberturas mais comuns são divididas em dois grupos. As médicas e de saúde: Despesas Médicas e Hospitalares (DMH), que é o item mais importante e cobre consultas, internações, cirurgias e medicamentos; assistência odontológica de emergência; telemedicina; e regresso sanitário, que paga o transporte de volta ao Brasil por motivo médico.
As coberturas logísticas:
Extravio;
Roubo ou dano de bagagem;
Atraso de voo, com reembolso de alimentação e hospedagem;
Cancelamento de viagem em casos específicos (doença grave ou falecimento de familiar).
Em planos mais completos, ainda aparecem coberturas para esportes radicais, gravidez de risco, doenças preexistentes (com limitações) e assistência jurídica no exterior.
Um plano básico com DMH de US$ 30.000, em 2026, sai por aproximadamente de R$ 10/dia. Um plano completo com US$ 150.000 de DMH mais cancelamento e bagagem pode custar de R$ 25 a R$ 50/dia.
Exemplo real: Paulo, 55 anos, teve um problema cardíaco durante uma viagem à Argentina. O seguro cobriu a internação (equivalente a R$ 45.000), o regresso sanitário de avião-UTI até São Paulo e a hospedagem da esposa que ficou acompanhando - tudo previsto na apólice.
A SUSEP define por meio de circulares quais são as coberturas mínimas obrigatórias e as vedações em contratos de seguro viagem. O segurado tem o direito de receber uma cópia completa das condições gerais da apólice antes de fechar o contrato, conforme as normas da SUSEP e o Código de Defesa do Consumidor.
Fique atento(a): Fique de olho nas cláusulas de exclusão. Quase todo seguro viagem não cobre doenças preexistentes graves sem declaração prévia, acidentes causados por consumo de álcool, atividades esportivas de alto risco sem contratação de cobertura extra e tratamentos estéticos ou eletivos. Ler as exclusões é tão importante quanto ler o que está coberto.
Seguro Viagem é obrigatório?
Quando é exigido por lei - e quando é apenas indispensável
Uma das perguntas mais pesquisadas sobre o tema: afinal, seguro viagem é obrigatório? A resposta é: depende do destino. Mas mesmo onde não é exigido por lei, a ausência de cobertura pode custar muito caro.
Países onde o seguro é obrigatório para brasileiros: todo o Espaço Schengen europeu (cobertura mínima de € 30.000 para emissão do visto), Cuba, Equador e Venezuela, que exigem apresentação do seguro na entrada.
Já países como EUA, Canadá, Japão e Austrália não exigem o seguro, mas têm sistemas de saúde que não atendem estrangeiros sem pagamento imediato. Nos EUA, uma internação básica de 3 dias pode ultrapassar US$ 30.000.
No Brasil, não existe lei federal que obrigue cidadãos brasileiros a contratarem seguro para viajar ao exterior - a obrigatoriedade vem da legislação dos países de destino. Internamente, o setor é regulado pela SUSEP, e os seguros precisam respeitar o Código Civil Brasileiro sobre contratos de seguro (artigos 757 a 802).
Muita gente acredita que o plano de saúde brasileiro cobre atendimentos no exterior - isso é falso na grande maioria dos casos. Os planos de saúde nacionais, regulados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), têm validade restrita ao território brasileiro. Antes de viajar, ligue para sua operadora e confirme: na prática, quase nenhuma cobre emergências fora do Brasil.
Seguro Viagem para os EUA
Por que os Estados Unidos exigem uma atenção especial?
Viajar para os Estados Unidos é o sonho de muita gente - seja para conhecer Nova York, curtir a Disney em Orlando ou fazer uma road trip pela Califórnia. Mas existe um detalhe que muita gente ignora: os EUA têm um dos sistemas de saúde mais caros do planeta, e qualquer imprevisto médico sem proteção pode se transformar em um pesadelo financeiro.
Diferente da Europa, os EUA não exigem seguro viagem para entrada de turistas brasileiros. Mas isso não significa que você pode dispensá-lo. Uma ida ao pronto-socorro americano por algo simples como uma torção no tornozelo pode gerar uma conta de US$ 2.000 a US$ 5.000. Uma internação de 3 dias facilmente ultrapassa US$ 30.000. Uma cirurgia de emergência? Pode chegar a US$ 100.000 ou mais.
A partir de R$ 15 por dia. Uma viagem de 10 dias fica entre R$ 150 e R$ 500. Especialistas recomendam contratar pelo menos US$ 100.000 de cobertura médica para destinos americanos.
Exemplo real: Luciana, 38 anos, foi a Miami e sofreu uma fratura na mão em uma queda. A conta hospitalar foi de US$ 8.400 - cirurgia, anestesia e quatro horas de internação. O seguro cobriu tudo. Sem ele, ela teria voltado ao Brasil com uma dívida de quase R$ 50.000.
Regulação: Não há lei americana que obrigue turistas estrangeiros a terem seguro. Porém, hospitais americanos exigem pagamento ou garantia financeira antes ou durante o atendimento — diferentemente do Brasil, onde o atendimento de emergência é obrigatório pelo SUS. Brasileiros no exterior não têm direito ao SUS, e o atendimento consular brasileiro não cobre despesas médicas.
Cuidado com planos que oferecem cobertura para os EUA com DMH de apenas US$ 30.000. Esse valor pode ser insuficiente para casos graves. Além disso, muitos seguros não permitem contratação após o embarque - ou seja, não adianta tentar comprar o seguro depois que o avião decolou. Contrate sempre antes do embarque.
Seguro Viagem para Europa / Schengen
Viagem para a Europa? O seguro não é opcional
Se você está planejando uma viagem para países como França, Itália, Espanha, Alemanha ou Portugal, precisa saber de uma coisa importante: o seguro viagem não é uma opção - é uma exigência legal para entrar no território.
Isso acontece por causa do Tratado de Schengen, um acordo entre 27 países europeus que permite a livre circulação de pessoas entre eles. Para receber o visto Schengen — necessário para brasileiros, é obrigatório apresentar um seguro com cobertura mínima de € 30.000 em despesas médicas, válido em todos os países do espaço Schengen durante toda a viagem.
Atenção: Atualmente, Portugal não exige visto para brasileiros em estadias curtas, mas faz parte do Espaço Schengen. Mesmo sem apresentar o seguro na imigração, ele pode ser solicitado e é fortemente recomendado.
A partir de, aproxumadamente, R$ 12 por dia para planos que atendem à cobertura mínima exigida. Uma viagem de 15 dias pode ser coberta por R$ 180 a R$ 400.
A exigência está prevista no Regulamento (CE) nº 810/2009 do Parlamento Europeu, conhecido como Código de Vistos Schengen. O seguro precisa ter validade em todos os países do Espaço Schengen, cobrir despesas médicas de urgência, transporte de emergência e repatriação do corpo, com valor mínimo de € 30.000.
Fique atento(a): Atenção com seguros "Europa" vendidos a preços muito baixos cuja cobertura médica é declarada em dólares (USD), não em euros. Como o câmbio varia, um plano com US$ 30.000 pode não equivaler a € 30.000 e gerar problemas na aprovação do visto. Prefira planos que declarem a cobertura explicitamente em euros, ou com valor claramente superior a € 30.000.
Seguro Viagem Nacional
Viajar pelo Brasil também tem seus riscos
Quando falamos em seguro viagem, a maioria das pessoas pensa imediatamente em destinos internacionais. Mas e quem viaja dentro do Brasil - de São Paulo ao Nordeste, do Rio de Janeiro à Amazônia, de Curitiba a Gramado?
O seguro viagem nacional é uma proteção muitas vezes esquecida, e que pode fazer uma diferença enorme. Pense bem: se você viaja para uma cidade que fica a 2.000 km de casa e sofre um acidente, precisa ser transferido para um hospital de referência ou sua bagagem some no aeroporto, o que acontece? O SUS existe, mas transferências inter-hospitalares e repatriação sanitária - o transporte de volta para casa após uma emergência médica - são coberturas que o seguro nacional oferece e que o plano de saúde muitas vezes não cobre com a mesma agilidade - principalmente se não for um plano de saúde nacional, mas sim, regional.
O que costuma estar incluído: assistência médica e hospitalar em emergências, traslado médico ou funerário, extravio de bagagem, cancelamento ou atraso de voo e assistência odontológica de emergência.
Entre R$ 8 e R$ 20 por dia. Uma viagem de 7 dias fica entre R$ 50 e R$ 150 no total - uma das modalidades mais acessíveis do mercado.
O seguro viagem nacional é regulado pela SUSEP. Em casos de extravio de bagagem em voos domésticos, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) também estabelece regras para indenização pelas companhias aéreas - mas os prazos e valores do seguro costumam ser mais ágeis do que os de uma reclamação direta com a aérea.
Fique atento(a): Um erro frequente é achar que o plano de saúde substitui o seguro viagem nacional. Na prática, muitos planos não cobrem remoção aérea de emergência entre cidades - um serviço que pode custar entre R$ 15.000 e R$ 80.000 dependendo da distância e do equipamento necessário (sem contar problemas com bagagens, atrasos de vôos, etc). Verifique o que o seu plano de saúde cobre em outras cidades antes de dispensar o seguro viagem nacional.
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